Análise linguistica

Para que se compreenda a relevância da prática de análise e reflexão sobre a língua, é importante reiterar a concepção de linguagem subjacente a esta proposta de ensino. Mais do que uma representação do pensamento ou um instrumento de comunicação, a linguagem é entendida como forma ou processo de interação humana (interação do sujeito com o mundo e com os outros). Nessa perspectva, "o domínio da língua, oral e escrita, é fundamental para garantir a participação social efetiva, pois é acesso à informação, expressa e defende pontos de vista, partilha ou constrói visões de mundo, produz conhecimento. Por isso, ao ensiná-la, a escola tem a responsabilidade de assegurar a todos os seus alunos o acesso a saberes linguisticos, necessários para o exercício da cidadania, direito inalienável de todos" (PCN, p.15).
O trabalho com o sistema alfabético, com o sistema ortográfico e com aspectos gramaticais é considerado instrumento de apoio para discussões e/ou reflxões sobre a organização funcional da língua, como meio de melhorar a qualidade da produção linguistica, tornando-se uma ferramenta essencial na importante e indispensável tarefa de revisao, reescrita e/ou reestruturação ou refacção de textos.
Segundo Geraldi (1997, p.74), "a análise linguistica não se limita à higienização do texto em seus aspectos gramaticais e ortográficos", pois uma série de elementos textuais pode ser reelaborada durante esse processo, por exemplo:
.as regularidades linguisticas dos gêneros;
.as especificidades de produção;
.as questões semânticas;
.a função do texto;
.o interlocutor;
.as questões ortográficas e morfossintáticas;
.a coerência e a coesão;
.os recursos expressivos (metáforas, discurso direto e indireto, paráfrases, pontuação, citações).
No entanto, em função das características desta fase da escolarização, é imprescindível que seja feito também um trabalho de análise da organização interna da palavra, destacando os padrões silábicos e as relações letra/som, por meio de atividades de troca, acrescimo e supressão de letras e sílabas. Em atividades dessa natureza, é necessário discutir o sentido das palavras, pois, dessa forma, contribui-se para a ampliação vocabular. É necessário não abrir mão de atividades que levem os alunos a observarem as propriedades do sistema alfabético, como a estabilidade, a ordem, as repetições, as combinações possíveis, a quantidade de letras e de sílabas orais, etc.
Isso não significa, de modo algum, relegar o sentido discursivo e dialógico da linguagem ao segundo plano. Trata-se de instrumentalizar o aluno para garantir também sua autonomia. Sem o domínio do sistema de escrita, a compreensão de seu caráter social e constitutivo pode até acontecer. Todavia, a liberdade ou independência intelectual, a capacidade de se governar por si mesmo, ,ainda estará comprometida.
Para um trabalho de língua voltado para essa perspectiva, o papel do professor é fundamental, pois como mediador competente, torna-se o responsável pela transposição didática, pelo processo de formação de um indivíduo capaz de dominar a língua, de compreender e respeitar suas variedades, sabendo escolher a mais adequada a cada situação concreta de comunicação.

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