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Tradição ou inovação

Os estudos no campo da história das disciplinas, ramo da História da Educação que vem tendo significativa expressão, oferecem importantes esclarecimentos sobre os currículos e as mudanças neles promovidas. É consenso, hoje, que os saberes escolares não são uma simples transposição dos conhecimentos das diversas áreas científicas.
Ao contrário, muitos estudos têm demonstrado o distanciamento, em alguns casos, cada vez maior entre o que é produzido na universidade e o que é ensinado na escola.
A razão disso é que a escola é um espaço em que circulam múltiplos saberes, que são difundidos por variadas articulações. Ensinam-se normas urbanas de prestígio, porém o aluno convive com outros saberes próprios da modalidade  oral e faz uso deles; enquanto uma narrativa histórica é apresentada aos alunos, diversas outras práticas realimentam a memória social do grupo no qual a escola está inserida.
Segundo André Chervel, importante estudioso desse campo, "uma disciplina é um modo de disciplinar o espírito, quer dizer, de lhe dar os métodos e as regras para abordar os diferentes domínios do pensamento, do conhecimento e da arte". (CHERVEL, 1990, p.180). As disciplinas, portanto, sempre estão a serviço de uma finalidade de uma disciplina, e por isso mesmo, sujeitas a mudanças. Contudo, não são os conteúdos em si mesmo que explicam a finalidade de uma disciplina, pois esses conteúdos são ferramentas usadas para promover os exercícios intelectuais considerados apropriados a cada etapa escolar.
Aliás, como observa o mesmo autor, na França de meados do século XIX, a palavra disciplina era sinônimo de ginástica intelectual (CHERVEL, 1990, p.179).
Dessa perspectiva, entende-se que as disciplinas são criações escolares, originadas na própria escola e para a escola. As teorias e os métodos pedagógicos não são, portanto, um "lubrificante" (termo utilizado por Chervel) dos mecanismos para a transmissão dos conteúdos; são parte desses conteúdos, parte cuja função é transformar o ensino em aprendizagem (CHERVEL, 1990, p.181-182).
Toda disciplina tem uma função e, por extensão, uma funcionalidade. Ambas são historicamente estabelecidas, ou seja, cada sociedade, a cada época, fixa os propósitos de cada disciplina. Se elas são criações escolares, deve-se admitir, então, que as mudanças pelas quais as disciplinas passam decorrem da dinâmica da propria escola ou da educação e, num âmbito maior, da própria sociedade.

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