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Currículos, demandas sociais e o livro didático

Os currículos escolares resultam de uma seleção feita com base em um universo mais amplo de conhecimentos e saberes. Mas essas escolhas não são aleatórias: os currículos são produtos de uma cultura e, ao mesmo tempo, veiculadores de cultura.
Há ainda uma cultura escolar, que, no dizer de Forquin, pode ser definida como "o conjunto dos conteúdos cognitivos e simbólicos que, selecionados, organizados, "normatizados", "rotinizados", sob o efeito dos imperativos da didatização, constituem habitualmente o objeto de uma transmissão deliberada no contexto das escolas.
Frequentemente, a escola é acusada de conservadorismo cultural e de estar pouco comprometida com a difusão de saberes úteis. Isso pode ser explicado pelo fato de a escola ter como função primordial a iniciação a uma série de habilidades cognitivas que são base da atividade humana "civilizada", função essa que supõe necessariamente a difusão de aspectos mais constantes, universais e incontestáveis na cultura transmitida (FORQUIN, 1993 p.170). No entanto, vivemos uma época em que o sentido utilitarista preside muitas das ações humanas, e esse sentido muitas vezes coloca em xeque os conhecimentos escolares.
Além disso, a universalização do acesso à educação tem trazido para dentro da escola crianças,jovens e adultos pertencentes a grupos sociais que até então estavam distantes da cultura escolar e, por isso mesmo, nem sempre se mostram interessados por ela.
Essa tensão só pode ser equacionada se houver claramente uma resposta para a seguinte questão: o que devem se tornar os estudantes com os quais serão trabalhados esses conhecimentos? A resposta, obrigatoriamente, terá de partir do "modelo" de individuo e de sociedade que se almeja construir. (SILVA, 2003, p.15).
O ensino, assim, é portador de um valor social, transmitindo valores culturais do grupo em que está inserido. Ao repetir e ritualizar a forma e os conteúdos, os professores formulam e/ou reproduzem um modelo, alimentando uma tradição. Mas a escola é um espaço social vivo, sujeito à influências externas e a novas demandas, que estimulam mudanças, maiores ou menores, nos currículos, tanto em sua forma pré-ativa (como uma formulação teórica) como na sua fase interativa, ou seja, quando implementado na prática (GOODSON, 1995, p.24).
Os livros didáticos podem desempenhar diferentes papéis. Independentemente da concepção, estrutura, organização e seleção de conteúdos e do tipo de abordagem propostos por uma obra, o que determina o encaminhamento, o cumprimento dos objetivos e os resultados do processo, sem dúvida, é o uso que se faz dela. Pode-se colocar nas mãos do professor o livro mais tradicional ou o mais inovador e não se obter os resultados esperados. Isso acontece porque o processo se efetiva mesmo na sala de aula, num espaço em que a concepção do professor prevalece sobre o escrito. É pelas mãos do professor que um livro assume efetivamente sua condição de didático.
É o professor que o atualiza quando transforma o que era uma virtualidade em uma aula. É o professor quem dá o tom e empresta a voz ao texto escrito, cirando novas virtualidades que, por sua vez, serão atualizadas pelos alunos, em um movimento contínuo de alimentação de virtualidades educativas, chamadas de ensino e de aprendizagem.
É interessante observar que geralmente se fala que o livro didático é usado, e não propriamente lido, indicando essa sua particularidade. Esse uso é sistemático, pressupondo mais de uma leitura, tanto do professor como do aluno, na sala de aula ou fora dela É só nessa condição que o livro didático de fato se realiza como tal, ou seja, como um recurso promotor de aprendizagem.
Como ressalta Lajolo, ele pode ser tomado como definidor único de conteúdos, estratégias e objetivos de determinada disciplina ou, ao contrário, pode ser visto como um parceiro em um processo de ensino muito especial, cujo beneficiário final é o aluno. (LAJOLO, 1996, p.4).
É consenso, atualmente, que os livros didáticos não são apenas veiculadores de informações, pois também difundem valores e representações do mundo, tanto por meio de textos verbais como de não verbais. Por isso, quando o professor analisa uma obra desse tipo, visando selecionar aquela com a qual vai trabalhar ao longo de todo o ano, é fundamental que realize uma avaliação de todos esses elementos, considerando a realidade em que atua.
As avaliações promovidas pelo MEC representam importante contribuição para os professores no momento da escolha do livro didático. Mas só o professor sabe qual livro melhor atende às necessidades de seus alunos e de sua escola, pois apenas ele conhece a sua realidade, sua concepção de educação, sua prática e seu compromisso com a formação integral dos alunos.

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